
Curso Licenciatura em Artes Visuais
História do Teatro 1. ARV e TEA - UAB3
Aluno: Clevio Cardoso dos Santos.
AS BACANTES, DE EURÍPIDES.
A peça os bacantes de Eurípedes é uma história que retrata o surgimento da tragédia no século v a.C. na Grécia, a obra é um relato dos primeiros passos do culto ao deus Dionísio. Tratava-se de uma divindade estrangeira que chegara à Grécia, mais precisamente a cidade de Tebas, terra de sua mãe, para ali implantar seu culto, exigindo das suas autoridades que lhe prestassem as devidas homenagens e libações às quais ele, Dionísio, deus do vinho e da vindima, se achava no direito, Dioniso chega a Tebas, Cadmo e Tirésias estão a favor, mas o rei Penteu é contra. Dioniso que induz um delírio nas mulheres da cidade que partem para o monte Cíteron juntamente com as mênades, Baco então conversa com Penteu, que se ofende com a arrogância daquele e o manda prender, Durante a noite Dioniso escapa facilmente se evade da prisão com suas seguidoras induzidas pela magia, no outro dia volta a conversar com o prefeito de Tebas. É quando o deus, ainda disfarçado de mortal, começa a sua cruel vingança: ele ilude Penteu e o faz vestir-se de mulher para ir assistir os cultos das bacantes, entre as quais se incluía Agave, a mãe do prefeito.
Na floresta Dioniso ilude suas seguidoras e dá uma enorme força a Agave, que mata o próprio filho com as mãos - Brômio a fizera acreditar que Penteu era um leão. Penteu é descoberto, morto e desmembrado pelas mulheres em êxtase, e sua cabeça é levada para Tebas por Agave, que acredita ter matado um filhote de leão, Dionisio não se contentando com sua vingança depois de ter arquitetado a trágica morte de Penteu prefeito de Tebas, ainda não era o suficiente para saciar o desejo de vingança do deus: este manda Agave e seu pai, Cadmo, se exilarem da cidade, apesar deles terem o apoiado e estarem sempre do seu lado.
Uma coisa muito notável. E Que Penteu, que é o prefeito de Tebas é facilmente iludido e enganado por Dionisio que o induz a desfilar pela cidade vestido de mulher a fim de assistir os rituais das mênades, sem imaginar seu trágico final, e que viria a ser a principal atração e vítima do transe dionisíaco. A peça As bacantes de Eurípedes conta com as maiores qualidades das grandes tragédias gregas, personagens extremamente bem delineados com muita personalidade e muito bem arquitetados, é uma obra que nos prende a leitura.
Lendo o texto somos lançados neste universo de personagens, escolhas, oposições, afetos e gestos e somos compelidos, ao encontrar toda a sua beleza, a compreender um pouco deste mundo tão antigo e que continua capaz de nos lançar nos limites mais, extremos da realização humana, pois é uma obra rica em suspense com uma rápida e intensa ação dramática. Quando se lê As Bacantes de Eurípedes. Defrontamo-nos com algum incomum com a história, Afinal de contas, o deus Dioniso - que tem poder sobre os mortais - é o deus do vinho e das orgias, e cuja moral é muito diferente da do Deus da tradição judaico-cristã.
A atitude de vingança de Dioniso apresentada na obra é completamente contra os padrões e bastante diversa daquela que se poderia esperar do Deus cristã. Esta tragédia simbólica foi o testamento final de Eurípedes, revelando no autor de AS BACANTES tanto um realista quanto um poeta de fértil imaginação, um racionalista e um psicólogo, ao mesmo tempo.
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